• Patrícia Candoso

Quem seremos depois do vírus?



Antes do vírus e depois do vírus... Ele, tão omnipresente e invisível como um Deus. E certamente mudará as nossas vidas. Ficará na nossa memória que lutámos, como numa guerra, pela nossa sobrevivência e pela sobrevivência dos nossos. De uma certa forma estamos em guerra, e como numa guerra a forma como escolhemos olhar, viver, reagir irá influenciar a pessoa que seremos depois desta pandemia. É em situações de dificuldade que o ser humanos revela o melhor e/ou o pior de si.


Há dois meses seria impensável e impossível parar. Parar dois, três, quatro dias... quanto mais 1 mês! Quando no ano passado milhares de adolescentes sairam às ruas, pelo mundo inteiro, a gritar: "Acordem! Parem!" Querendo salvar o mundo... Muitos adultos ignoraram e até condenaram a atitude. Afinal conseguimos parar... Conseguimos ter o direito de olhar para o essencial da vida e continuar a viver... ou a sobreviver.


É muito difícil estar em casa, nesta espécie de Big Brother em família. Tirando as poucas saídas necessárias, são 24 horas em casa, sem perspectiva de quando isto irá terminar. E quando terminar, de que forma iremos voltar à "vida normal"... Mas aqui podemos escolher olhar para o lado bom. É uma oportunidade única de ver o crescimento diários dos nossos filhos, acompanhar as suas conquistas, novas aprendizagens, novo vocabulário. É também um grande teste à nossa paciência, claro, e temos de perceber que são crianças, não têm capacidade de entender (como nós) toda esta situação.


Lembram-se de como reclamávamos nunca ter tempo para nada? Nunca ter tempo para aproveitar a nossa casa? Para aproveitar momentos e brincadeiras em família? Pois bem, agora temos esse tempo, vamos aproveitá-lo. Bem sei que existem todas as outras questões familiares que esta quarentena veio prejudicar. Bem sei que há famílias em situações de precariedade e dificuldade extrema. Nessas situações vamos pedir ajuda, vamos procurar ajuda, não vamos ter vergonha de o fazer. Pode acontecer a qualquer um de nós, esta situação atingiu vários sectores da economia, turismo, cultura, restauração, pequenos comerciantes... poucas foram as pessoas que conseguiram manter as vidas quase iguais.


Infelizmente há muitas diferenças sociais, culturais, raciais... mas na realidade, em momentos como este somos todos iguais, não há qualquer diferença. Poderíamos ver nisso uma oportunidade de mudar atitudes no futuro. Preocuparmo-nos em consumir o necessário apenas, preocuparmo-nos em comprar, sempre que possível, o que é português, feito em Portugal, o que é nosso, e desta forma ajudar a nossa economia a renascer. Preocuparmo-nos em diminuir a nossa pegada ecológica, reinventarmos-nos enquanto seres humanos. E ter fé, por muito longe que esteja a luz neste túnel que atravessamos agora.



224 visualizações

visitantes

Fica a par de todas as novidades

© 2017 Quero a minha mãe. Proudly created with Wix.com